Este é o BLOG de um SURDO que se orgulha de Ser Surdo, Ser Tripeiro, Ser Dragão e Ser Nortenho, não necessariamente por esta ordem, e também um profundo defensor do Regionalismo e inimigo fidagal do Centralismo de Lisboa
Há ainda um grande leque da População Ouvinte que pensa que as Língua Gestual é igual em todo o Mundo.
Esse pensamento baseia-se em preconceitos ou simples desconhecimento, dado julgarem que:
já que a comunicação por gestos é intuitiva e uma vez que não exige aprendizagem, deveria ser a mesma para todos os Surdos;
já que a Comunidade Surda, no Mundo, é uma minoria, certamente utiliza um único tipo de comunicação;
já que é uma comunicação icónica sua representação deverá ser a mesma em todo o mundo.
No entanto, e à imagem das Línguas Gestuais, as Línguas Gestuais são diferentes de País para País e, muitas vezes existem mais do que uma Língua Gestual num País (por exemplo em Espanha há grandes diferenças entre as Línguas Gestuais do País Basco, da Catalunha, da Galiza….) e também dentro de uma Língua Gestual poderão haver ligeiras diferenças de região para região, sem modificar grandemente a estrutura dessa Língua.
Existe o denominado GESTUNO (também chamada de Língua Gestual Internacional) que não é uma Língua mas antes uma forma de linguagem auxiliar internacional, utilizada pelas Pessoas Surdas em eventos de índole internacional ou informalmente, por exemplo quando viajam e contactam com Surdos de outros Países.
Não pode ser considerada uma língua, já que não possui uma gramática. Utilizam-se os sinais com a gramática de qualquer uma das línguas de sinais existentes.
Existe também o SIGNUNO que poderemos considerar um código gestual à imagem do Esperanto, e que é derivado do Gestuno.
Surdo-Mudo é, provavelmente a mais antiga e incorrecta denominação atribuída às Pessoas Surdas, e ainda utilizada, e de forma muito forte, em certas áreas e divulgada nos meios de comunicação, principalmente televisão, jornais e rádio.
O facto de uma Pessoa ser Surda não significa que ela seja muda.
A mudez é uma outra deficiência, sem conexão com a surdez.
Mesmo aquelas Pessoas Surdas que, por um ou outro motivo, não conseguem oralizar não podem ser consideradas Mudas pois podem comunicar gestualmente, por mímica, por escrito…
A não-oralização das Pessoas Surdas está, esmagadoramente, ligada à falta de audição desde o nascimento/tenra Idade, o que as impediu de aprenderem a falar…
Assim o termo Surdo-Mudo terá de ser encarado como um forte erro social devido ao facto de que o Surdo vive num "silêncio" rotulado pela própria Sociedade (por falta de conhecimento do real significado das duas palavras).
É uso a Sociedade referir-se à LÍNGUA Gestual Portuguesa como LINGUAGEM Gestual. Por hábito? Por desconhecimento? Por falta de cultura?
O termo LÍNGUA NATURAL é usado para distinguir as línguas faladas pelo Ser humano e usadas como instrumento de comunicação daquelas que são LINGUAGEM FORMAIS construídas.
Como exemplos destas últimas podemos indicar as linguagens de programação de computadores, as linguagens usadas pela lógica formal ou lógica matemática, etc., etc
Dentro da filosofia da linguagem de tradição anglo-saxónica, por vezes utiliza-se o termo língua ordinária como sinónimo da língua natural.
As línguas naturais são estudadas pela linguística e pela inteligência artificial, entre outras disciplinas.
As LÍNGUAS GESTUAIS são também línguas naturais, visto possuírem as mesmas propriedades características das Línguas Orais tais como a gramática, a sintaxe, uma infinidade discreta e uma forte generatividade / criatividade.
Há várias Línguas Gestuais como a norte-americana ASL), a francesa (LSF), a brasileira (LIBRAS), a portuguesa (LGP) já devidamente documentadas na literatura científica.
LANA é o único cão para surdos existente em Portugal.
Desde há um ano que tem a missão especial de avisar o casal Baltazar - ambos surdos - quando toca a campainha da porta, o sinal avisador do microondas ou o alarme de incêndio. Ou, mas já por iniciativa da própria, quando há trovoada ou chega o peixeiro.
A Lana é irrequieta, tem um ar desafiador e só o colete mostra que é um cão de assistência. Como qualquer raça ou rafeiro pode desempenhar a função de cão para surdos, a pequena estatura desta pekinois de quatro anos funcionou como uma vantagem, pois os chamamentos de atenção são feitos com toques da pata, explica Liliana de Sousa, 55 anos, a bióloga fundadora e presidente da Ânimas. Já os cães de serviço são obrigatoriamente retriever do labrador - e quase em exclusivo os cães-guia para cegos -, dada as características da raça, como a inteligência e capacidade de aprendizagem, a afabilidade e o carácter.
No dia da visita da reportagem do Expresso à casa desta família de Valongo ninguém tinha a certeza se a coqueluche da casa se iria portar à altura. A razão é simples: se em casa estiverem pessoas da comunidade ouvinte, e desde logo Fernando Baltazar, o filho do casal que é intérprete de língua gestual, Lana pode aproveitar para se deixar ficar quieta. Quem o conta, a rir a bom rir, é o dono, Armando, 58 anos, reformado da banca e a frequentar na ESECoimbra o Curso de Língua Gestual Portuguesa. A mulher, Maria da Glória, um ano mais nova e bancária, corrobora.
Mas Lana não quis fazer feio, muito menos à frente do seu instrutor, Hugo Roby, 29 anos, educador de cães de profissão e voluntário na Ânimas. "Tive de perceber a realidade da família Baltazar e os seus problemas. E depois trabalhar em função disso". O primeiro passo foi um vulgar treino de obediência e de comportamento, só depois as necessidades especiais de quem não ouve.
Ao fim de cerca de oito meses a ser educada por Hugo regressou a casa com as novas competências: a campainha da porta toca e ela corre na direcção de Armando ou de Maria da Glória, empina-se e bate-lhes com a pata numa das pernas. É assim com todos os sons para que foi ensinada.
Lana era já a cadela da família. Chegou aos seis meses trazida pelo irmão gémeo de Fernando, na sequência de umas separação. "Eu, que tive um pastor alemão, fiquei a olhar para aquela coisa pequena e feia", recorda, bem humorado, Armando Baltazar, repentinamente surdo aos 13 anos devido a um ataque de meningite violenta. Maria da Glória, que também perdeu a audição devido à meningite mas ainda bebé, aos 18 meses, apesar da grande dificuldade em se exprimir oralmente, deixa claro que está a sair em defesa da bicha de estimação e que nunca a achou feia. No fundo, sabe que o marido está a brincar e ambos mostram estar muito ligados a um animal que começou por ser apenas de estimação.
Sempre com a ajuda de Fernando Baltazar, 35 anos, como intérprete - função que exerce para o Ministério da Justiça e na televisão - essencialmente para colocar as nossas perguntas ao pai, uma vez que Armando mantém parte da oralidade, ficamos a saber que este tem um longo percurso na Associação de Surdos do Porto e na Federação Portuguesa das Associações de Surdos e foi nesse âmbito que teve conhecimento do trabalho da Ânimas. "Às vezes as pessoas só protestam e não agem. Quis saber como era ter um cão assim treinado, até para dar o exemplo..."
Na verdade pode-se dizer que a vida do casal Baltazar tenha mudado radicalmente com a nova Lana. "Mas também poderia ter mudado se, como a maior parte dos não ouvintes, tivéssemos a casa toda adaptada com sinais luminosos e não apenas uma lâmpada na cozinha que avisa quando a campainha da porta toca... Mas a Lana substitui tudo isso e... faz-nos compan hia...", defende Armando Baltazar.
Texto publicado na edição do Expresso de 16 de Maio de 2009
Dado nos últimos tempos ter constatado que determinado sector da Comunidade Surda vem falando muito DE LIDERANÇA, DE ÉTICA, DE RESPEITO E DE CONFIANÇA, deixo aqui uma opinião pessoal sobre o que são estes considerandos, e espero provoque uma reflexão positiva de TODOS…
A LIDERANÇA
Liderança é o processo de conduzir um grupo de pessoas. É a habilidade de motivar e influenciar os liderados para que contribuam, voluntariamente, da melhor forma com os objectivos do grupo ou da instituição.
A natureza e o exercício da liderança tem sido objecto de estudo do homem ao longo da sua história. Bernard Bass (2007) argumenta que "desde a sua infância, o estudo da história tem sido o estudo dos líderes - o que e porque eles fizeram o que fizeram".
A busca do ideal do líder também está presente no campo da filosofia. Platão, por exemplo, argumentava em A República que o regente precisava ser educado com a razão, descrevendo o seu ideal de "rei filósofo". Outros exemplos de filósofos que abordaram o tema são Confúcio e seu "rei sábio", bem como Tao e seu "líder servo".
Os pesquisadores académicos argumentam que a liderança como tema de pesquisa científica surgiu apenas depois da década de 30 fora do campo da filosofia e da história.
Com o passar do tempo, a pesquisa e a literatura sobre a liderança evoluíram de teorias que descreviam traços e características pessoais dos líderes eficazes, passando por uma abordagem funcional básica que esboçava o que líderes eficazes deveriam fazer, e chegando a uma abordagem situacional ou mais contingencial, que propõe um estilo mais flexível, adaptativo para uma verdadeira liderança eficaz.
Nos últimos anos, grande parte dessas pesquisas e obras tem sido criticada por ser de sentido muito restrito, mais preocupada com a explicação dos comportamentos dos líderes face a face com os seus colaboradores, ao invés de examinar os líderes no contexto maior das organizações que lideram, prestando pouca atenção ao papel da liderança organizacional em termos do tratamento da mudança ambiental.
Ou sejam há um forte “esquecimento” de que um líder não se fabrica nem se constrói… mas que a liderança é um sentido inato que já nasce com o ser humano…
Não é fácil ser um verdadeiro líder, ou seja não é líder quem quer mas sim é líder quem sabe!
A ÉTICA
A palavra Ética é originada do grego ethos, que significa modo de ser, carácter. Através do latim mos (ou no plural mores), que significa costumes, derivou-se a palavra moral.
Em Filosofia, Ética significa o que é bom para o indivíduo e para a sociedade, e o seu estudo contribui para estabelecer a natureza de deveres no relacionamento indivíduo - sociedade.
Define-se Moral como um conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam o comportamento do indivíduo no seu grupo social. Moral e ética não devem ser confundidos: enquanto a moral é normativa, a ética é teórica e busca explicar e justificar os costumes de uma determinada sociedade, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Porém, deve-se deixar claro que etimologicamente "ética" e "moral" são expressões sinónimas, sendo a primeira de origem grega, enquanto a segunda é sua tradução para o latim.
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética.
Tanto “ethos” (carácter) como “mos” (costume) indicam um tipo de comportamento propriamente humano que não é natural, o homem não nasce com ele como se fosse um instinto, mas que é “adquirido ou conquistado por hábito” (Vasquez). Portanto, ética e moral, pela própria etimologia, diz respeito a uma realidade humana que é construída histórica e socialmente a partir das relações colectivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem.
A ética pode ser interpretada como um termo genérico que designa aquilo que é frequentemente descrito como a "ciência da moralidade", e o seu significado derivado do grego, quer dizer 'Casa da Alma', isto é, susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto.
Em Filosofia, o comportamento ético é aquele que é considerado bom, e, sobre a bondade, os antigos diziam que: o que é bom para a leoa, não pode ser bom para a gazela. E, o que é bom para a gazela, fatalmente não será bom para a leoa. Este é um dilema ético típico.
Portanto, da investigação filosófica, e devidas subjectividades típicas em si, ao lado da metafísica e da lógica, não pode ser descrita de forma simpes. Desta forma, o objectivo de uma teoria da ética é determinar o que é bom, tanto para o indivíduo como para a sociedade como um todo. Os filósofos antigos adoptaram diversas posições na definição do que é bom, sobre como lidar com as prioridades em conflito dos indivíduos versus o todo, sobre a universalidade dos princípios éticos versus a "ética de situação". Nesta, o que está certo depende das circunstâncias e não de uma qualquer lei geral. E sobre se a bondade é determinada pelos resultados da acção ou pelos meios pelos quais os resultados são alcançados.
O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética. Enfim, a ética é o julgamento do carácter moral de uma determinada pessoa. Como Doutrina Filosófica, a Ética é essencialmente especulativa e, a não ser quanto ao seu método analítico, jamais será normativa, característica esta, exclusiva do seu objecto de estudo, a Moral. Portanto, a Ética mostra o que era moralmente aceite na Grécia Antiga possibilitando uma comparação com o que é moralmente aceite na Europa de hoje, por exemplo, indicando através da comparação, mudanças no comportamento humano e nas regras sociais e suas consequências, podendo daí, detectar problemas e/ou indicar caminhos.
O RESPEITO
Respeito é o apreço por, ou o sentido do valor e excelência de, uma pessoa, qualidade pessoal, talento, ou a manifestação de uma qualidade pessoal ou talento.
Em certos aspectos, o respeito manifesta-se como um tipo de ética ou princípio, tal como no conceito habitualmente ensinado de "[ter] respeito pelos outros" ou a Ética da reciprocidade.
O Respeito também poderá ser chamado de ética da reciprocidade é um princípio moral geral, que se encontra praticamente em todas as religiões e culturas, frequentemente como regra fundamental. Este facto sugere que pode estar relacionada com aspectos inatos de natureza humana.
Na maioria das formulações toma uma forma passiva, como a que é expressada no Judaísmo: "O que é odioso para ti, não o faças ao próximo". Na cultura ocidental, no entanto, a fórmula mais conhecida é a que foi formulada por Jesus, no Sermão da Montanha: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles" (Mt. 7, 12). Esta regra tradicional é também apelidada de regra de ouro.
A CONFIANÇA
Confiança é o acto de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e absorvendo-a simplesmente.
Confiar noutro é muitas vezes considerado acto de amizade ou de amor entre os humanos, que costumam dar provas dessa confiança.
A confiança é muito subjectiva porque não pode ser medida, é preciso ter confiança em quem se confia para poder confiar, o que torna a confiança um conceito intrínseco.
Confiança é o resultado do conhecimento sobre alguém. Quanto mais informações corre tas sobre em quem necessitamos confiar, melhor, formamos um conceito positivo dessa pessoa.
O grau de confiança entre duas pessoas é determinado pela capacidade que elas têm de prever o comportamento uma da outra. Também é "a expectativa que nasce no seio de uma comunidade de comportamento estável, honesto e cooperativo, baseado em normas compartilhadas pelos membros dessa comunidade". Quando isso ocorre, temos as condições de prever o comportamento dos outros em uma dada circunstância. Confiança é a previsibilidade do comportamento. Ao observar o comportamento de alguém, somos capazes de identificar os valores que determinam porque as pessoas se comportam de uma determinada maneira.
Portanto, quando dizem os que confiamos em alguém, estamos a dizer que:
a) pertencemos à mesma comunidade de valores, e
b) sabemos que essa pessoa estará tão orientado para atender aos nossos interesses como nós próprios estaríamos se estivéssemos no lugar dela. Quando isso acontece, as pessoas não negociam: elas são capazes de entregar um cheque em branco e assinado.
Assim, a quantidade e a frequência das negociações podem ser indicadores de que nem tudo vai bem. Se a oportunidade de negociar pode ser um indício de relações democráticas e igualitárias, o excesso de negociações é um indicador seguro de falta de confiança porque, no limite, quando confiamos totalmente, não negociamos. Assim, quanto maior o número de negociações, menor a abertura entre os interlocutores.
Assim quando há falta de confiança a rapidez na solução do impasse dependerá do grau de abertura existente entre os dois lados
Como resolver o impasse? Com abertura. Ou seja, quanto mais rápida e francamente os lados em desavença revelarem o que realmente desejam, mais facilmente poderão resolver esse problema.
No dia 18 de Abril, decorreu no auditório da Fundação Portugal África, um Seminário promovido pela FECAP (Federação Concelhia das Associações de Pais do Porto), subordinado ao tema “Pais iguais, filhos especiais – (re)pensar a escola, (re)construir projectos”.
Até aqui tudo bem.
No entanto no denominado Blog “Escola de Referência”
http://escoladereferencia.blogs.sapo.pt/15485.html uma Professora (Dra. Maria do Céu Gomes) arrogou-se a fazer e emitir juízos disparatados sobre uma Associação (que eu ajudei a crescer e por quem lutei e dei tudo o que pude ao longo de muitos anos), a ASSOCIAÇÃO DE SURDOS DO PORTO, esquecendo essa Senhora que a ASPorto sempre a apoiou e disponibilizou tudo o que pode para procurar melhores caminhos de Educação para as Crianças e Jovens Surdos.
Transcrevo a seguir esses ridículos e irresponsáveis acusações e juízos formulados:
Estiveram representadas neste seminário bastantes associações de pais de alunos portadores de deficiência: ACAPO, APPDA, APPC, APD, APPACDM, APAIC e surpreendentemente também a ASP. Após tantos anos de luta para alcançarem um novo estatuto que os retirasse do paradigma da deficiência e os colocasse num paradigma sócio-cultural, a Associação de Surdos do Porto esquece agora todas essas reivindicações e assume-se apenas como mais uma associação de deficientes. A acrescentar a esta postura tão pouco coerente, foram apresentados neste seminário dois testemunhos de alunas surdas que fizeram todo o seu percurso escolar, integradas em turmas de ouvintes, sem o apoio quer de intérpretes, quer de formadores de Língua Gestual Portuguesa. A apresentação do testemunho dessas alunas fez-me lembrar a citação de Lane que transcrevo no início deste post. De facto, o que os organizadores deste seminário fizeram foi ir buscar duas alunas que são um caso excepcional e que não podem de maneira alguma representar a maioria dos alunos surdos existentes nas nossas escolas. A Sofia Azevedo fez um implante coclear aos 7 anos e é um caso assumido de sucesso. Nunca teve dificuldade em oralizar e interagir com ouvintes. Se tivesse feito a sua intervenção através da língua oral, ninguém teria percebido que era surda. O mesmo se pode dizer da Joana Cottim, que ficou surda aos 3 anos, depois de já ter adquirido a linguagem e que fala perfeitamente como qualquer ouvinte. Estas duas alunas escolheram dar o seu testemunho em LGP, porque são bilingues e é um direito que lhes assiste. Os pais da Sofia nunca a impediram de aprender língua gestual apesar do implante e agora, que está no ensino superior, essa competência é uma mais valia para ela. A Joana é filha de pais surdos, ou seja, bilingue desde que nasceu. Também ela recorre agora a intérprete de LGP no ensino superior. Para a audiência, a ideia que passou é que estas alunas surdas, que até se expressaram em língua gestual (ninguém as ouviu falar), conseguiram fazer todo o seu percurso escolar em turmas de ouvintes, sem qualquer dificuldade. Não precisaram nem da língua gestual nem de apoio especializado para ter sucesso.
Para nós é incompreensível e lamentável que a Associação de Surdos se preste a este papel, que em vez de defender a língua gestual nas escolas, assuma uma postura pró-oralista. O presidente da ASP referiu que não sabia o que é que o Decreto-Lei 3/ 2008 trazia de novo para os surdos. Será que nunca o leu ou será que aquilo que leu já nada significa para os surdos? Será que a criação da disciplina de LGP para surdos e ouvintes é um facto irrelevante?
A única preocupação da ASP parece ser o facto dos professores ouvintes que leccionam alunos surdos não estarem a ir à associação pedir um certificado em LGP. Pergunto: Os professores que trabalham com alunos surdos já não tiveram aulas em LGP por formadores da ASP nos seus cursos de especialização e não a continuam a ter na formação contínua que é dada nas escolas pelos mesmos formadores?
Se tivermos em conta os testemunhos apresentados no seminário, estes professores nem precisavam de saber língua gestual. Nem sequer eram necessários intérpretes ou formadores de LGP!! O que pretende então a Associação de Surdos? Onde está a coerência do seu discurso?
E a resposta que eu lá coloquei:
Infelizmente já não sou Presidente da ASPorto... senão teria aqui um longo trabalho, e um prazer mesmo, para explicar à Dra. Maria do Céu Gomes quão irrealista e irresponsável é a sua afirmação ... "e surpreendentemente também a ASP. Após tantos anos de luta para alcançarem um novo estatuto que os retirasse do paradigma da deficiência e os colocasse num paradigma sócio-cultural, a Associação de Surdos do Porto esquece agora todas essas reivindicações e assume-se apenas como mais uma associação de deficientes. "... Isso é de uma irresponsabilidade tremenda pois a ASPorto é uma Associação de Pessoas com Necessidades Especiais e as Crianças e Jovens Surdos - NAS ESCOLAS DE REFERÊNCIA - estão num Regime de Ensino Especial... Assim porque estranhar a participação da ASPorto? Quanto às duas Jovens Surdas que refere foram lá por iniciativa própria E SEGUNDO PARECE ESTAMOS NUM PAÍS DEMOCRÁTICO E LIVRE ONDE TODOS PODEMOS EXPRESSAR A NOSSA OPINIÃO...
Aqui apenas deixo uma sugestão à Dra. Maria do Céu Gomes: "em vez de perder tempo com juízos e afirmações infelizes como os que aqui formulou DEDIQUE ESSE TEMPO À PROCURA DE CONDIÇÕES PARA QUE OS ALUNOS SURDOS DA ESCOLA ONDE TRABALHA ADQUIRAM BONS NÍVEIS DO PORTUGUÊS ESCRITO ELIMINANDO ASSIM A ILETERACIA CRESCENTE ENTRE OS JOVENS DA COMUNIDADE SURDA.
Desculpe o desabafo... posso já não ser o Presidente da ASPorto mas a ASPorto é como uma filha minha e "quem não se sente, não é filho de boa gente".
TAMBÉM PODERIA ACRESCENTAR: Não andará por aí uma forte corrente de oportunismo, e oportunistas, que se utilizam das Pessoas Surdas, da Surdez, das Escolas de Referência, para enriquecimento curricular? E…? E…? E…?